quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Yes, nós temos cachaça e pouca vergonha na cara

 

Dia desses trabalhei num evento aqui na cidade que reuniu três frentes: cachaça, cerveja e doce. E eu estava numa barraca vendendo café, quer dizer, quatro coisas que o mineiro/brasileiro adora, na verdade. Trata-se de um evento com fins de fomento da produção desses alimentos, da valorização de alguns dos itens que temos de melhor no nosso país, de promoção do produtor rural que passa aperto o ano inteiro com as incertezas do clima, com a precarização do seu trabalho, com a falta de incentivo do governo... enfim, que se desdobra para fazer o seu melhor, ano após ano, sendo pouco reconhecido por isso.

Bom, haverá quem diga que isso é uma escolha. Sim, e muitas vezes é. A escolha de fazer o que gosta, o que tem aptidão, o que herdou e ainda passar todo esse conhecimento de geração em geração. Mas é uma vida dura.

Enfim, foi uma festa muito bonita. Até eu, abstêmio há 21 anos, trabalhando, me diverti bastante. Conheci pessoas incríveis com trabalhos maravilhosos, fiz contatos, me entretive com ébrios circulando pra lá e pra cá buscando café às 10 da noite pra tentar dar mais um gás nas degustações que eram liberadas. Música e bebida liberados a noite toda! E teve música.

Sim, e música ao vivo. E esse é o ponto que, definitivamente, vou morrer sem entender. Assim como a cachaça, cerveja, doce e café, outra coisa que o brasileiro sabe fazer muito bem é música. E não vejo sentido algum, num evento desse tipo, promover artistas que são literalmente cópias de outros artistas, que cantam exatamente a suas músicas e ainda se vestem iguaizinhos aos originais! Essas imitações, ou homenagens, ou tributos, como alguns preferem, fazem uso de obras alheias para entreter um público que, reconheço, pouco importa com quem está ali em cima do palco. O que ele quer é se divertir, dançar, e cantar junto aquelas músicas que ele já conhece desde sempre.

Reconheço também que todo artista merece o seu espaço, e que esse tipo de homenagem tem o seu valor. Mas numa festa brasileira, acho muito vira-latismo tocar música de artista estadunidense, por exemplo. Rock, blues, jazz, que nada tem a ver com a proposta do evento. Uma lástima. Em meio a uma festa de valorização do produto brasileiro, você escutar músicas de Beatles, Queen, Creedence Clearwater Revival, entre outros, é lastimável.

Repito, todo artista merece o seu lugar, mas o Brasil tem tanto artista original, tanta música autoral de qualidade, que não tem os mesmos incentivos e oportunidades que esses artistas “tributo” têm. Isso é desvalorizar totalmente o esforço de um trabalhador que, assim como o pequeno produtor rural, tem uma vida de tantos desafios e pouco reconhecimento.

Esse não era para ser um texto chato, de um tiozão de barba branca revoltado e incomodado com aquilo que não é da sua conta. Haverá quem diga ainda que, calado, sou poeta, que não entendo de festa popular, e nada entendo mesmo. Sou um palpiteiro despreparado. Não me importo. Vou sempre defender aquilo que eu acredito. E se você é desses, escravizados pela necessidade de apreciar a cultura que não é nossa... só lamentos. E vamos lá, xinguem-me a vontade! kkk

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