terça-feira, 17 de março de 2026

Galo, cruzeiro e muito pastelão no gramado do Mineirão

Eu não ia escrever sobre a patacoada que foi a partida entre Cruzeiro e Atlético, pela final do Campeonato Mineiro, há uma semana. Aquilo foi um vexame em todos os aspectos. E não digo isso pela derrota do Galo, meu time do coração. Pro meu azar, assisti na TV o “jogo” de cabo a rabo. Bom, pelo menos, a companhia e o churrasco estavam maravilhosos. Mas a crônica do Ruy Castro, Pastelão no gramado, publicada na Folha de SP hoje cedo, me encorajou a escrever nem que fosse algumas linhas sobre esse pesadelo futebolístico.

Um trecho do texto do Ruy:

“Hoje, cada jogo é um pastelão. Um contato entre um dedo mindinho e o plexo do adversário faz com que este leve a mão ao rosto como se lhe tivessem quebrado os dentes ou furado o olho. Ato contínuo, desaba, quase moribundo, dando murros no gramado, enquanto o juiz aplica o cartão no suposto agressor. Isto feito, o agredido se levanta e sai assobiando no azul. O campeão mundial da categoria é Neymar.”

Esse foi um belo resumo do clássico de domingo, acrescentado de um quebra-pau generalizado no final. O senhor Matheus Candançan, árbitro, permitiu durante todo o jogo esse pastelão no gramado do estádio Mineirão, conivente com toda falta de respeito durante a partida, sendo responsável direto pela violência pós-jogo. Nada fez enquanto podia, e no final, quis se redimir, justificando as 21 expulsões devido aos socos e pontapés entre “os atletas”. Lamentável.

Não é de hoje que arbitragem é motivo de polêmica no futebol mineiro. Um time se acha mais prejudicado que o outro, e acabam importando árbitros de outro estado, na tentativa de serem mais imparciais. E esse sujeito, vindo de São Paulo, foi tão imparcial, que a cumplicidade com a violência foi a mesma para com os dois times a partida inteira. Tudo isso ainda ofuscou a festa das duas torcidas presentes. Vê-las, cada uma de um lado do estádio, cantando suas paixões, era coisa que não acontecia há anos!

Ah, e teve o futebol apresentado pelas equipes. Mas esse, indigno de uma única linha a respeito. Me recuso, como a música da Gal.

terça-feira, 10 de março de 2026

História que se lê e história que se vive

Dia desses, assistindo a uma resenha, o booktuber (gente que fala de livros no Youtube) se referiu a um livro como um “romance de aeroporto”, ou seja, livro que conta uma história rasa, superficial, sem muitos aprofundamentos ou complexidade de enredo. Eu já tinha escutado algo parecido do professor Clóvis de Barros Filho, quando ele chamou de “livro de aeroporto” todos aqueles livros de autoajuda que dão uma solução fácil para os problemas complexos. Mesmo que o autor more a 10.000 km, e que nunca tenha ouvido falar da sua vida, ele acredita que basta seguir 10 passos simples pra que você alcance a felicidade no amor, o sucesso na carreira, e assim por diante.

Lembrei disso pois recentemente voltei à Rodoviária de Belo Horizonte. Nesse texto, se você me fizer o favor de ler, eu escrevi sobre o tratamento que a administração da rodoviária dá ao seu lixo reciclado. Agora escrevo pra falar do tratamento que ela dá aos “livros de rodoviária”. Ou dava, afinal, a única livraria do lugar já não existe mais.

As coisas estão bem mais organizadas por lá. Agora só pode descer até a área de embarque quem vai viajar. Antigamente, o lugar ficava cheio de acompanhante e parente, o que atrapalhava demais. Mas substituíram a livraria por uma loja de bugiganga e tabacaria (para honra e glória do Fernando Pessoa)!

Era bom passar um tempo ali, folhear uns livros enquanto se esperava a hora da viagem, comprar alguma coisa pra ler quando chegar ao destino. Era um ritual, algo que sempre estava no checklist do dia: passar na livraria antes de embarcar! E hoje eu me lembro de boas viagens em função das leituras que eu fiz naqueles momentos. Livros e revistas, histórias que fazem parte da própria viagem. É sempre bom relembrar o estava lendo quando estava curtindo uma viagem especial.

Agora, pra aproveitar uma boa leitura enquanto viaja, leve seus próprios livros na bagagem. A não ser que você só viaje de avião. Nesse caso, haverá a companhia dos “livros de aeroporto”. Por enquanto.

terça-feira, 3 de março de 2026

Pais e filhos

Como já dizia o doutor Drauzio Varella, o papel de um pai é ridículo, desprezível. A mulher, com uma única célula concedida por outro indivíduo, constrói um ser humano perfeito. Se o homem que participou dessa concepção desaparecer, aquela criança vai nascer de qualquer maneira. Então, ele pode ser um pai maravilhoso, ou nem tanto, o que é mais recorrente. Trabalhando em cafeterias, pude observar tipos singulares como esses.

Dia desses atendo um pai com duas filhas na faixa dos 10 anos, pra tomar um café da manhã. Apresento o cardápio aos três, as crianças, empolgadas, escolhem bolo e cookies pra cada uma. “Não!”, disse o pai, “vocês vão comer outra coisa agora”. Ele acaba escolhendo comida pra todos. A carinha de decepção das meninas é uma tristeza. Depois, “papai, podemos comer aquele doce agora?”, uma perguntou. “Não! Vou pedir um chocolate quente e dividir pelas duas, e traga leite à parte, pra eu diluir a bebida”, falou, se dirigindo a mim. “Papai, podemos brincar?”, “não, fiquem quietas aqui, está quase na hora de ir embora”. Quando se levantaram, as crianças já não tinham mais o brilho de quando chegaram.

Outro dia, mesmo caso. Um pai com duas meninas na mesma faixa de idade do caso anterior. Elas escolheram um monte de coisa no cardápio. Tomei nota de tudo, com a aprovação do pai. As meninas comeram o que quiseram, correram e brincaram pelo quintal da cafeteria, e uma delas, exausta, ainda dormiu no colo do pai ao som dos músicos tocando MPB.

Nessa semana, outro pai, acompanhado de duas filhas entre cinco e oito anos, agora com a mãe também. Antes de se sentarem, o pai se abaixa diante da filha maior e pergunta: “filhinha, onde você quer sentar?”. A menina faz carinha de indecisa, mas logo aponta pra uma mesa: “naquela ali!”. Ficaram bastante tempo, comeram de tudo, se divertiram à beça, muito à vontade, e foram embora pedindo pra voltar outro dia.

Ser um pai maravilhoso é escolha do homem, mas o afeto, presença e carinho dos filhos é totalmente proporcional a essa escolha.

Pátria, família e arroz na parmegiana

Nessa última semana trabalhei como o moço do cafezinho num importante evento de moda aqui em Belo Horizonte. E trabalhar assim, alheio ao a...