Desde 2016, quando consolidei a profissão de professor universitário, eu entro em profunda reflexão nesse período do ano, quando comemora-se o Dia do Professor, hoje, no dia 15 outubro, de acordo com o decreto estabelecido em 1963, que determina que o dia tem como objetivo comemorar e enaltecer a função de “mestre na sociedade moderna”, com a participação de alunos e famílias. Essas reflexões ora colocam em xeque a decisão tomada há oito anos, ora confirmam com alegria a oportunidade de explicar coisas difíceis de forma fácil e clara.
Mas porque alguém escolhe ser professor? Uma autopunição, que compense outras decisões erradas na vida? Seria para agradar a família? Afinal, houve um tempo em que era orgulho ter um filho professor. Por vocação? Qual foi o professor que nunca escutou a frase “esse nasceu pra ensinar”? Pelo salário maravilhoso? Hahaha, claro que não. Enfim, os motivos vão ao infinito, e no Dia dos Professores cabe muito pensar a respeito.
E sempre que penso nisso eu penso também nas pessoas que me inspiraram, nos excelentes professores que tive ao longo da minha vida, mas também naqueles péssimos, que tudo faziam para aterrorizar os alunos, complicando coisas simples, ou seja, exatamente o contrário do que um bom professor tem que fazer.
Dessa forma, a lista torna-se imensa, com nomes que pouco representam para você, que se dedica a ler essas minhas 500 e poucas palavras semanalmente publicadas por aqui. Por isso, vou citar apenas dois nomes que provavelmente você já ouviu falar.
O primeiro, Aristóteles, filósofo e polímata grego, pensador do conceito da Eudaimonia, que traduz a busca pelo estado de contentamento estável, ou simplesmente felicidade. Para ele, o objetivo de vida de todo ser humano deveria ser o de identificar o que o faz feliz, e agarrar-se a ele com todas as suas forças, sem concessões, e seguir adiante nesse propósito já que, para ele, cada ser humano já nasce com seu lugar definido na natureza. Basta apenas encontrá-lo.
O segundo, professor Clóvis de Barros Filho, paulista de 57 anos, que aplicou na íntegra os ensinamentos da Eudaimonia na busca pela sua profissão. Aos13 anos de idade, ele não tinha tesão nenhum pela vida. Segundo as próprias palavras, ele não andava, mas se arrastava. Tirava nota 10 em tudo, mas não vibrava com nada. O pai até tentou lhe mostrar algumas coisas interessantes, como arte, futebol, natação, mas nada era capaz de alegrar o garoto Clóvis. Até o dia em que ele teve que se colocar em frente à escola inteira para apresentar um trabalho sobre petróleo. Quando ele percebeu o interesse de todos os colegas pelo que ele falava, enquanto alguns, inclusive, tomavam nota sobre suas palavras, ali, meu caro, naquele momento, o garoto Clóvis acabara de perceber que tinha encontrado seu lugar na natureza! Ele encontrara a felicidade!
Comigo foi assim também. Muito embora eu adore meus trabalhos com café (assunto pra outro texto), eu encontrei a felicidade no meu primeiro dia como monitor de Geometria Analítica, em 2011. Ali, em frente aos colegas, percebi que nunca mais na minha vida eu queria sair daquele lugar onde eu estava!