terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Hermann Hesse e Três histórias de vida de um andarilho

Gostar de literatura é fazer parte de um grande esquema de pirâmide. Sempre haverá quem te indique bons livros, que te levarão a outros livros, que te levarão a novos autores, que te indicarão outros livros... um ciclo sem fim. E foi o caso do Knulp: Três histórias de vida de um andarilho, do alemão prêmio Nobel Hermann Hesse, que a velejadora Tamara Klink relê de tempos em tempos. Foi dela que peguei a dica dessa leitura, que é uma ode ao eterno desejo humano pela liberdade.

Início da primavera. A primeira história nos apresenta Knulp, um gentil andarilho que percorre uma Alemanha rural de finais do século XIX, com sua forma simples e desapegada de viver a vida. Ele é recebido por um amigo logo após passar uma temporada hospitalizado. Mas knulp está de volta, com todo o seu vigor e tesão pela vida! Ele revisita velhos conhecidos, conta e escuta novas histórias, e ainda se engraça pro lado da criada do vizinho, uma senhorita doce e delicada, que é convencida por Knulp a acompanhá-lo ao salão de dança da cidade.

Minhas memórias de Knulp. Uma breve passagem dos anos alegres da juventude de Knulp, narrada por um amigo, com o qual desenvolve diálogos incríveis sobre amores, desapego, e sobre a efemeridade da beleza. “Tudo pode ser belo se visto no momento certo”, concorda o amigo. Ambos passam parte das noites frescas deitados ao léu, parte galanteando as moças das cidades por onde eles passam. Mas o amigo sabe que não é páreo para o charme e simpatia de Knulp.

O fim. A terceira história é sobre um knulp já velho e adoecido. Na estrada de volta à cidade natal, onde pretende passar seus últimos dias, encontra um velho amigo da escola que, agora médico, se oferece para internar Knulp no hospital da cidade. Knulp aceita educadamente, mas intimamente tem outros planos. É um período de questionamentos e reflexões sobre seu modo de vida despreocupado e sem raízes.

É um livrinho de poucas páginas, mas profundo e sensível. Daqueles que valem a releitura quando indagações sobre os reais valores da vida baterem forte.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Pamonha, café e excessos

Dia desses estava lembrando de um curso de barista que fiz em Caratinga, cidade do interior de Minas, a 300km de Belo Horizonte. O barista está para o café assim como o sommelier está para o vinho. É aquele profissional que vai te recomendar e preparar o melhor café, de acordo com seu gosto e perfil. O que reacendeu essa memória foi a “história da pamonha”, contado pelo professor Clóvis de Barros Filho numa de suas inúmeras palestras.

Você chega numa pamonharia. Come uma pamonha e ela é maravilhosa, está uma delícia! Você conclui que pamonhas te alegram, porém, comete um erro: pede uma segunda pamonha. Você percebe que ela não está tão boa quanto a primeira. Claro, você agora tem menos fome, já tem milho no bucho e sua taxa glicêmica é outra. Mas você é fiel à pamonha e come a terceira. Você percebe que tem algo de errado com sua teoria de comedor de pamonha. Mas você é fiel... e a décima pamonha você só consegue comer sentado no vaso. Ela desorganiza suas relações vitais e agride seu intestino violentamente. A mesma pamonha que te alegrou, agora pode te matar.

Bom, eu tinha minha teoria de bebedor de café. Depois de beber litros naquele curso de barista, extraídos de diferentes métodos de preparo, ninguém estava aguentando mais nem sentir o cheiro de café. A essa altura todos estavam saturados, e só eu continuava bebendo, uma xícara após a outra, pois sou fiel ao café, sobretudo ao café espresso! Esse foi o meu erro. Agora substitua pamonha por café, e você vai entender o que eu passei.

Depois do curso, ainda tinha cinco horas de viagem de volta à BH, com o organismo completamente desarranjado! Entrando no ônibus eu já percebi que o negócio não ia prestar. Fiz boa parte da viagem sentado no vaso. Fiquei três anos sem conseguir sentir o cheiro de café espresso. Era isso, e minhas mãos suavam, meu estômago revirava e as vistas escureciam.

O que vale pra pamonha vale pra qualquer coisa. Aprendi isso da pior maneira possível.

Pátria, família e arroz na parmegiana

Nessa última semana trabalhei como o moço do cafezinho num importante evento de moda aqui em Belo Horizonte. E trabalhar assim, alheio ao a...