Gostar de literatura é fazer parte de um grande esquema de pirâmide. Sempre haverá quem te indique bons livros, que te levarão a outros livros, que te levarão a novos autores, que te indicarão outros livros... um ciclo sem fim. E foi o caso do Knulp: Três histórias de vida de um andarilho, do alemão prêmio Nobel Hermann Hesse, que a velejadora Tamara Klink relê de tempos em tempos. Foi dela que peguei a dica dessa leitura, que é uma ode ao eterno desejo humano pela liberdade.
Início da primavera. A primeira história nos apresenta Knulp, um gentil andarilho que percorre uma Alemanha rural de finais do século XIX, com sua forma simples e desapegada de viver a vida. Ele é recebido por um amigo logo após passar uma temporada hospitalizado. Mas knulp está de volta, com todo o seu vigor e tesão pela vida! Ele revisita velhos conhecidos, conta e escuta novas histórias, e ainda se engraça pro lado da criada do vizinho, uma senhorita doce e delicada, que é convencida por Knulp a acompanhá-lo ao salão de dança da cidade.
Minhas memórias de Knulp. Uma breve passagem dos anos alegres da juventude de Knulp, narrada por um amigo, com o qual desenvolve diálogos incríveis sobre amores, desapego, e sobre a efemeridade da beleza. “Tudo pode ser belo se visto no momento certo”, concorda o amigo. Ambos passam parte das noites frescas deitados ao léu, parte galanteando as moças das cidades por onde eles passam. Mas o amigo sabe que não é páreo para o charme e simpatia de Knulp.
O fim. A terceira história é sobre um knulp já velho e adoecido. Na estrada de volta à cidade natal, onde pretende passar seus últimos dias, encontra um velho amigo da escola que, agora médico, se oferece para internar Knulp no hospital da cidade. Knulp aceita educadamente, mas intimamente tem outros planos. É um período de questionamentos e reflexões sobre seu modo de vida despreocupado e sem raízes.
É um livrinho de poucas páginas, mas profundo e sensível. Daqueles que valem a releitura quando indagações sobre os reais valores da vida baterem forte.
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