terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Pamonha, café e excessos

Dia desses estava lembrando de um curso de barista que fiz em Caratinga, cidade do interior de Minas, a 300km de Belo Horizonte. O barista está para o café assim como o sommelier está para o vinho. É aquele profissional que vai te recomendar e preparar o melhor café, de acordo com seu gosto e perfil. O que reacendeu essa memória foi a “história da pamonha”, contado pelo professor Clóvis de Barros Filho numa de suas inúmeras palestras.

Você chega numa pamonharia. Come uma pamonha e ela é maravilhosa, está uma delícia! Você conclui que pamonhas te alegram, porém, comete um erro: pede uma segunda pamonha. Você percebe que ela não está tão boa quanto a primeira. Claro, você agora tem menos fome, já tem milho no bucho e sua taxa glicêmica é outra. Mas você é fiel à pamonha e come a terceira. Você percebe que tem algo de errado com sua teoria de comedor de pamonha. Mas você é fiel... e a décima pamonha você só consegue comer sentado no vaso. Ela desorganiza suas relações vitais e agride seu intestino violentamente. A mesma pamonha que te alegrou, agora pode te matar.

Bom, eu tinha minha teoria de bebedor de café. Depois de beber litros naquele curso de barista, extraídos de diferentes métodos de preparo, ninguém estava aguentando mais nem sentir o cheiro de café. A essa altura todos estavam saturados, e só eu continuava bebendo, uma xícara após a outra, pois sou fiel ao café, sobretudo ao café espresso! Esse foi o meu erro. Agora substitua pamonha por café, e você vai entender o que eu passei.

Depois do curso, ainda tinha cinco horas de viagem de volta à BH, com o organismo completamente desarranjado! Entrando no ônibus eu já percebi que o negócio não ia prestar. Fiz boa parte da viagem sentado no vaso. Fiquei três anos sem conseguir sentir o cheiro de café espresso. Era isso, e minhas mãos suavam, meu estômago revirava e as vistas escureciam.

O que vale pra pamonha vale pra qualquer coisa. Aprendi isso da pior maneira possível.

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