Recentemente participei de uma reportagem de uma rádio aqui de Minas cujo tema era “Café: nosso grão de ouro do agro”. O programa foi muito bem estruturado, mostrando o trabalho do agronegócio na busca por produtividade e o trabalho do pequeno produtor pela qualidade da bebida que servimos à mesa.
De modo a fomentar o cultivo desse “grão democrático”, como citado na reportagem, iniciativas privadas e governamentais, tais como concursos e premiações, incentivam o trabalho no campo, reconhecendo o valor do pequeno produtor rural nessa cadeia onde ele é responsável por boa parte da produção desse país.
Isso tem mudado a vida desses pequenos produtores, e seria uma tolice não reconhecer o trabalho feito, inclusive, por iniciativas individuais, como a do meu amigo Samuel Mangia, em Baependi, região da Mantiqueira de Minas. Lá ele incentiva os produtores locais a plantarem café de qualidade, oferecendo consultoria, know-how, orientações e suporte técnico, tudo gratuitamente, de modo a agregar valor nas suas pequenas produções para vende-las bem, e não por uma tutaméia às grandes indústrias do café.
Curioso é que, por mais que você mostre o quanto isso tudo é legal, em momento algum se falou, nem por mim aqui nem pela reportagem, para quais mãos se destinam os milhões de reais de verbas para o agronegócio. Sim, faço distinção entre agronegócio e agricultura familiar por razões óbvias. Ou você acha que aquele pequeno produtor no interior do país que cultiva sua lavoura em meio hectare de terra coloca as mãos em algum dinheiro de fomento do agro? Ou você acha que ele anda ateando fogo em mato, transformando em vapor tóxico o ar que respiramos? Nisso o pequeno produtor rural nada tem a ver, afinal, ele não é doido de queimar sua pequena propriedade correndo o risco de perder tudo, casa, família, propriedade.
Nem o próprio produtor familiar se reconhece como parte do agronegócio. Ele está completamente à margem dos grandes investimentos, bem como tem as mãos limpas quando o assunto são essas queimadas infernais. O pequeno produtor rural, que engrandece a agricultura desse país é o homem simples, do campo, que tira o próprio sustento da terra. Ele, sim, alimenta a minha família, a sua família, e não a grande indústria do agronegócio, liderada por coronéis mercenários Brasil afora, apoiados por uma bancada ruralista criminosa e covarde, que tem sangue nas mãos e grande responsabilidade por esse clima impróprio para a vida que temos vivido ultimamente.
Recentemente fiz algumas viagens pelo interior de Minas e tive a oportunidade de conversar com alguns desses pequenos produtores. Eles não se dizem do agro. Eles se recusam a serem chamados de fazendeiros. Tudo isso eles deixam para os grandes que te manipulam, dizendo que o agro é pop, que o agro alimenta sua família, que gera riqueza para o país. Conversa fiada. Quem te alimenta é a agricultura familiar. O resto é propaganda e falácia.
Faça um favor a si próprio e valorize o pequeno produtor rural. Ele não recebe milhões do governo, ele não ateia fogo em floresta. A ele, sim, apoio total e irrestrito! Todo respeito, admiração e agradecimento.
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