quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Ano novo, coisas novas e velha roupa colorida

Então já é o quarto dia de um ano novo que se apresenta com expectativas mil e moral lá em cima... nada muito diferente do quarto dia de 2023, do de 2022, e assim para trás. Novas promessas, metas, compras, tudo aquilo que sirva de combustível para nos impulsionar de modo a tornamos 2024 um ano melhor é sempre bem-vindo. Pois é claro, você sabe, que jamais um ano é melhor que outro se nós mesmos não o fizermos melhor. Não adianta querer terceirizar a felicidade, se ela depende única e exclusivamente de cada um de nós. “Apenas e simplesmente isso”, diria o Grande Mestre de xadrez Rafael Leitão.

E falando em compras, revirando meus livros velhos, eu encontrei um almanaque Disney que adquiri na primeira Bienal do Livro que participei aqui em Belo Horizonte, em 2010. Resgatei esse gibi e comecei a relê-lo ainda no fim de 2023, e logo na primeira história, nas primeiras páginas, fui conduzido a uma reflexão profunda sobre coisas, objetos e nossa relação com eles.

A história se passa no Planeta T onde Mickey, Minnie e Mancha Negra, entre outros, vivem em perfeita paz e harmonia, num assombroso equilibro entre todos os habitantes, natureza e força. Um completo marasmo que agrada alguns, mas que eventualmente vai fazer com que outros se rebelem em favor do caos e da dominação planetária.

Enquanto reina a paz no Planeta T, uma forma de estimular os habitantes é o Kekosèk, um concurso cujo objetivo é premiar a criação mais inútil daquele planeta. Coisas como um perfume inodoro, uma caneta que só escreve a letra “s” ou um esquentador de gelo são algumas dessas criações. Existe uma grande excitação em torno desse evento! É o grande acontecimento do ano!

Tenho certeza de que você achou o caso um verdadeiro disparate. Mas te convido a uma breve reflexão: pense sobre tudo aquilo que você acumula em casa que, de fato, sirva pra alguma coisa. Aquele eletrônico que você jurou que seria essencial na sua vida, mas que está engavetado há meses, sem bateria. Aquela roupa lindíssima pra uma ocasião especial, mas que acumula poeira no fundo do armário desde que foi comprada. Aquele celular novo que faz exatamente a mesma coisa do antigo, mas que está na moda e que custa $2000,00 a mais por causa de um botão a menos.

Os exemplos vão ao infinito. Caso é que somos bombardeados diariamente com ofertas de coisas que não precisamos, e nosso esforço pra ir contra isso não tem sido suficiente pra que deixemos de acumular cada vez mais coisas que não nos servem pra nada.

A ambientalista americana Annie Leonard escreveu o livro A HISTÓRIA DAS COISAS: Da natureza ao lixo, o que acontece com tudo que consumimos, que foi resumido pela própria autora num vídeo de 20 minutos, disponível no Youtube, dublado em português, onde ela discute sobre o verdadeiro ciclo de tudo o que é produzido no nosso planeta, e como isso se mostra extremamente maléfico à medida em que os recursos naturais se tornam cada vez mais escassos. É tenebroso. Se você tem sangue nas veias, certamente vai se sensibilizar com tudo o que anda acontecendo por aí e, quiçá, tome modos na próxima vez que pensar em comprar algo inútil.

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