terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Uma viagem, um jardim e um pouco de lixo reciclado

 Dia desses fui para o Espírito Santo visitar parentes, e dado a minha desconfiança com os aviões, eu viajo de ônibus sempre que posso. Sem problemas. Vou sempre à noite, tomo um relaxante muscular pra não enjoar e pra facilitar o sono, um bom fone de ouvido e só acordo chegando lá.

A rodoviária de Belo Horizonte é um marco arquitetônico tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal. No ano da sua inauguração, 1971, era o maior terminal rodoviário da América do Sul. É um prédio antigo, mas bonito. Tem uma área externa, ornada com um belo jardim e uma vista parcial da cidade, ideal pra você que não quer ficar em meio à confusão de passageiros enquanto aguarda sua partida.

Comprei um lanche e me sentei lá fora. Era noite, o clima agradável, poucas pessoas. Depois de comer, senti que o relaxante começava a fazer efeito. Avistei um daqueles pontos de coleta seletiva, onde cada lixeira tem uma cor específica pra cada tipo de lixo. Amarelo, verde, azul, vermelho, estavam todas lá, porém, sem identificação escrita que auxiliasse os desavisados como eu. Mas uma rápida consulta no Google resolveu a questão. Direcionei os restos de papel pra lixeira azul, e o plástico direto pra vermelha.

Foi quando uma senhora se aproxima, com um único saco preto à mão, para esvaziar as lixeiras. Com uma habilidade invejável, ela segura o saco com uma das mãos enquanto usa a outra pra virar a lixeira azul, esvaziando-a.

Bom, ela vai levar os papeis e depois volta com um saco novo pra buscar os demais recicláveis, pensei. Mal concluí o pensamento, e a senhora já estava com a lixeira verde na mão despejando, no mesmo saco, o seu conteúdo. E assim ela fez com as outras lixeiras. O lixo, devidamente descartado por gente preocupada igual a mim (ou não), indo parar no mesmo lugar, no mesmo saco. A senhora retornou pra onde viera, decerto sem um pingo de dor na consciência.

Perplexo, joguei a mochila nas costas e desci para o embarque, torcendo pra que aquilo tudo fosse apenas uma alucinação provocada pelo abuso de relaxantes musculares.

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