terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Potencial Hidrogeniônico, infância e um pedaço de torta de morango

Essa aconteceu com um colega da faculdade, o predestinado professor de química Paulo Henrique, vulgo PH. Foi meu professor, depois colega quando eu comecei a dar aulas, e fez parte da minha banca de mestrado. Lembrei da história por causa da infestação de coachs mirins pela internet. Sim, aqueles garotos cheirando a leite querendo te dar lições financeiras, conselhos amorosos, ou simplesmente te dizendo que a faculdade é perda de tempo e que a matemática é inútil.

Pois bem. Certo dia, antes de voltar pra casa, PH passou numa famosa doceria aqui da cidade. Foi prontamente atendido por um simpático balconista, que lhe abriu um grande sorriso ao perguntar:

- Boa tarde, chefia! O que vai ser pra hoje?

PH tinha endereço certo! Uma torta de morango que acabara de chegar ao balcão, a preferida da sua filha mais nova.

- Eu vou querer 1/4 dessa torta de morango. Pra viagem, por favor.

O simpático balconista, ressabiado, quis confirmar o pedido:

- O senhor vai querer a torta inteira?

Intrigado, PH o corrigiu:

- Não, eu só quero um quarto dela.

O simpático balconista, depois de uma breve reflexão, parece ter matado a charada:

- Ah, entendi agora! O senhor vai querer é a METADE da torta!

PH percebe a dificuldade do simpático balconista e, com a didática de um excelente professor, não deixa dúvidas:

- Não. Você vai pegar essa torta inteira, vai parti-la em quatro pedaços iguais, e vai me dar um desses pedaços pra eu levar.

Com brilho nos olhos, enquanto embrulhava o pedido, o simpático balconista não se furtou em contar para o colega de balcão a boa nova que ele tinha acabado de aprender!

Ninguém é obrigado a saber tudo, e a humildade do simpático balconista nem é um problema. O que importa é a sede pelo conhecimento. O problema começa é quando adulto ordinário decide lucrar em cima de criança, que devia estar na escola, brincando na rua, convivendo amorosamente com a família. E não em podcasts duvidosos, regurgitando asneira, condenando a própria infância ao fracasso.

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