Ler o texto “Lemos nossos autores favoritos como se precisássemos deles para permanecer vivos”, da Juliana de Albuquerque, me fez cair em profunda reflexão sobre alguns assuntos relacionados a livros.
Primeiro deles foi relembrar como cheguei a meu próprio escritor favorito, Stephen King. Eu acho tão legal relembrar essas coisas que são importantes na nossa vida, mesmo que para outras pessoas isso não passe de devaneio puro. Ainda na infância fui muito influenciado por uma amiga que vivia conosco, sempre às voltas com livros. Agatha Christie e Sidney Sheldon foram alguns autores sempre presentes em casa, mas o que me fez voltar a atenção àqueles blocos de papel escritos de forma sistemática foi O Iluminado, terceiro livro do meu autor preferido, lançado em 1977, que compramos na Livraria Popular, sebo ainda em atividade aqui na cidade onde vivo.
Não sei dizer exatamente o que me chamou a atenção nesse romance não indicado pra minha faixa etária, 12 anos na época, mas lembro bem que foi pegá-lo e devorá-lo muito rapidamente, com muita atenção e deleite. Talvez por esse motivo eu tivesse concluído que King seria meu preferido, mas também não lembro de fato o que me chamou tanto a atenção naquela história repleta de acontecimentos sobrenaturais e violência, que decerto provocariam danos mentais irreversíveis a uma criança da minha idade. Caso é que, desde então, já li quase 30 livros do cara, menos da metade do que ele tem publicado, verdade, mas é que acredito que, aos poucos, com o avanço da idade, criando filho pequeno, talvez eu tenha perdido um pouco da capacidade de me divertir com alguns assuntos recorrentes na sua obra.
Segundo assunto, sobre a diferença entre uma biblioteca e uma coleção. A Juliana usa uma definição da escritora Susan Sontag para distinguir uma da outra, mas tenho a minha própria, muito parecida. Uma biblioteca, pra mim, sempre foi algo pra se guardar os livros dentro da própria cabeça. Nunca fui de acumular livros. Como aprendi logo cedo a frequentar sebos, minha ideia sempre foi a de comprar, ler e trocar. Os que emprestava, não fazia questão de reaver. Nunca me apeguei. Assim é até hoje. Minha biblioteca está na minha memória, no que eu consigo lembrar e no que eu esqueço. E na tela do Kindle.
Mas isso não me impede de ser também um colecionador, de ter paixão pelos livros enquanto objetos. Tenho algo em torno de uns 50 exemplares que por nenhum motivo do mundo saem da minha companhia. Alguns raros, como o Noções Elementares de Xadrez, do José Raul Capablanca, ou Tieta do Agreste, do Jorge Amado, edição do Círculo do Livro publicada em 1971. Outros muito ilustrados e com muitas fotos, como o Pra Ser Sincero, do Humberto Gessinger, ou uma biografia do Chico Buarque. Ainda alguns autografados, como os da Márcia Tiburi e do Cristovão Tezza. Enfim, coisa pouca, que não dê muito trabalho pra carregar de um lado pra outro. No mais, pra mim, livro sempre foi coisa pra ser lido e compartilhado.
Mas a lição não é pra todos. Cada qual tem sua própria relação com as palavras, ainda mais considerando que alguns relação nenhuma tem...
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