quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Trapaça no xadrez e uma obsessão por relógios de pulso

Desde o dia 11 de outubro acontece o Qatar Masters Open Chess 2023, terceira edição do torneio aberto de xadrez do Catar. Por ser aberto, você pode se inscrever para concorrer a parte dos US$108.000,00 de premiação total, desde que você seja titulado como mestre de xadrez pela Federação Internacional de Xadrez – FIDE, e ter, no mínimo, 2300 pontos de rating FIDE (que está para o xadrez assim como o ranking da ATP está para o tênis). A fim de promover o evento, alguns jogadores da elite do xadrez mundial foram convidados a participar, dentre eles o Grande Mestre norueguês Magnus Carlsen, número 1 do mundo desde julho de 2011 e campeão mundial desde 2013. E é com ele que a polêmica começa.

Voltando um pouco no tempo, em 2022, na Copa Sinquefield realizada em St. Louis, Missouri, Carlsen abandonou o torneio depois de perder uma partida da terceira rodada para o Grande Mestre americano Hans Niemann. Muitos interpretaram essa saída como se ele acusasse Niemann de trapacear na partida entre os dois, acusação que se concretizou posteriormente, com ambos os jogadores sendo acionados entre si na justiça. O caso é que houve muita discussão, muita ladainha, mas nada foi provado, com os processos sendo arquivados recentemente, culminando num mútuo pedido de desculpas entre os jogadores.

Agora, em 2023 no Catar, algo parecido acontece. Na segunda rodada do torneio, Carlsen perde para o jovem Grande Mestre de 22 anos Alisher Suleymenov, do Cazaquistão. Mais tarde, numa rede social, Carlsen se diz completamente arrasado pela derrota, parabeniza o GM Suleymenov pela brilhante vitória, mas acusa a organização do evento de permitir que seu oponente jogasse com um relógio no pulso. Carlsen afirma que não conseguiu mais se concentrar na partida depois de perceber esse relógio, o que pode ter sido fator decisivo para sua derrota. Ele lembra ainda que nenhum adorno desse tipo é permitido na arena de jogos, segundo o próprio regulamento da FIDE, como anéis, canetas, tampouco um relógio, mesmo que mecânico, como era o caso.

Nos tempos modernos, onde reina a tecnologia, todo cuidado é pouco para preservar o fair play durante partidas de xadrez, sejam elas online ou presenciais.

Relembrando outro fato curioso envolvendo relógios, chegamos ao GM Garry Kasparov, russo que dominou os tabuleiros no fim do século passado, sendo campeão do mundo de 1985 a 1995. Numa época em que a tecnologia não assustava tanto, Kasparov tinha por hábito usar justamente um relógio que, depois de fazer seu primeiro lance, era retirado do pulso e colocado sobre a mesa, ao lado do tabuleiro. Assim, quando ele percebia que a partida estava ganha, antes mesmo dela ter terminado, ele recolocava o relógio no pulso, como que um sinal para seu oponente: “Abandone logo a partida, meu caro, que eu não tenho tempo a perder”.

Claro, já teve muito jogador que deixara Kasparov tão perplexo com sua derrota que fizera com que ele se esquecesse de recolocar o próprio relógio após a partida!

O GM Victor Korchnoi, outro russo, já dizia: “Nenhum Grande Mestre de xadrez é normal. A única diferença entre um do outro é o tipo de loucura.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pátria, família e arroz na parmegiana

Nessa última semana trabalhei como o moço do cafezinho num importante evento de moda aqui em Belo Horizonte. E trabalhar assim, alheio ao a...