Terminei recentemente a leitura de Depois, do Stephen King, esse que é, desde os meus 12 anos de idade, quando me aventurei na leitura de O Iluminado, meu autor preferido, mesmo tendo lido pouco mais de 20 dos mais de 70 livros por ele publicado.
Basicamente o livro conta a história de um garoto que consegue conversar com o espectro de pessoas que morreram proximamente de uma semana ou mais, e extrair delas respostas para suas perguntas. Detalhe: os mortos não podem mentir! Um típico romance policial com altas doses de sobrenatural.
Nesse livro encontramos elementos típicos da maior parte da produção do King. A narrativa envolvente, um ritmo que oscila, ora suave, ora frenético, um texto muito agradável de se ler, com diálogos inteligentes e frases bem construídas, coisas de um autor que já está nesse ramo há mais de 50 anos.
Outra questão interessante que se dá nas suas narrativas é quando ele descreve um evento aparentemente corriqueiro, e então é introduzido um novo elemento que ele não havia descrito antes, mas que te dá uma nova visão do evento que ele acabara de descrever, te fazendo, por vezes, ter que reler o trecho descrito em busca de alguma informação que você acha ter perdido. Mas não, você não perdeu nada. Era aquilo mesmo, e essa releitura, de certo modo, é como a releitura de um livro que você já sabe o que vai acontecer no final.
E é o que acontece nesse livro. Numa das passagens, você só descobre que certo diálogo se dá com uma pessoa morta próximo do fim desse diálogo, e o King faz esse jogo com uma maestria de poucos!
Outra característica, mais presente, é quando a história está apenas começando, num ritmo tranquilo, numa rotina adorável que você não quer que acabe, mas sabe que inevitavelmente vai acabar, e quase sempre de forma trágica! As personagens estão lá, vivendo suas vidinhas pacatas, e de repente o tapete é puxado, e tudo vira de pernas para o ar! Você é arrancado da sua zona de conforto de tal modo que demora a recobrar o equilíbrio, como se estivesse vivendo ali aquela vida junto das personagens.
São poucas as histórias do King que já começam em meio ao caos. Misery é um bom exemplo disso, quando na primeira página já acompanhamos os devaneios de Paul Sheldon em função do seu grave acidente na neve, e em noutro livro, Celular, já temos uma socialite arrancando com uma mordida um pedaço do braço de um sujeito na fila do sorvete logo na terceira página!
Você pode até não gostar desse estilo de literatura, mas também não pode negar que o homem escreve como poucos. A escrita dele é quase que um organismo vivo, ela corre por si mesma. É envolvente e acessível, como toda literatura deveria ser. Ele é um fenômeno e muitas vezes é censurado por isso. Os detentores do saber, aqueles que se acham intelectuais por apreciarem somente a alta literatura (e que raios seria essa alta literatura?) são os que mais tripudiam acerca do assunto. Para esses, a arte tinha que ser inacessível, incompreendida pelas massas. Independentemente do tipo de produção, eles acreditam que a arte deveria estar nas mãos de poucos. Tolos.
Basicamente o livro conta a história de um garoto que consegue conversar com o espectro de pessoas que morreram proximamente de uma semana ou mais, e extrair delas respostas para suas perguntas. Detalhe: os mortos não podem mentir! Um típico romance policial com altas doses de sobrenatural.
Nesse livro encontramos elementos típicos da maior parte da produção do King. A narrativa envolvente, um ritmo que oscila, ora suave, ora frenético, um texto muito agradável de se ler, com diálogos inteligentes e frases bem construídas, coisas de um autor que já está nesse ramo há mais de 50 anos.
Outra questão interessante que se dá nas suas narrativas é quando ele descreve um evento aparentemente corriqueiro, e então é introduzido um novo elemento que ele não havia descrito antes, mas que te dá uma nova visão do evento que ele acabara de descrever, te fazendo, por vezes, ter que reler o trecho descrito em busca de alguma informação que você acha ter perdido. Mas não, você não perdeu nada. Era aquilo mesmo, e essa releitura, de certo modo, é como a releitura de um livro que você já sabe o que vai acontecer no final.
E é o que acontece nesse livro. Numa das passagens, você só descobre que certo diálogo se dá com uma pessoa morta próximo do fim desse diálogo, e o King faz esse jogo com uma maestria de poucos!
Outra característica, mais presente, é quando a história está apenas começando, num ritmo tranquilo, numa rotina adorável que você não quer que acabe, mas sabe que inevitavelmente vai acabar, e quase sempre de forma trágica! As personagens estão lá, vivendo suas vidinhas pacatas, e de repente o tapete é puxado, e tudo vira de pernas para o ar! Você é arrancado da sua zona de conforto de tal modo que demora a recobrar o equilíbrio, como se estivesse vivendo ali aquela vida junto das personagens.
São poucas as histórias do King que já começam em meio ao caos. Misery é um bom exemplo disso, quando na primeira página já acompanhamos os devaneios de Paul Sheldon em função do seu grave acidente na neve, e em noutro livro, Celular, já temos uma socialite arrancando com uma mordida um pedaço do braço de um sujeito na fila do sorvete logo na terceira página!
Você pode até não gostar desse estilo de literatura, mas também não pode negar que o homem escreve como poucos. A escrita dele é quase que um organismo vivo, ela corre por si mesma. É envolvente e acessível, como toda literatura deveria ser. Ele é um fenômeno e muitas vezes é censurado por isso. Os detentores do saber, aqueles que se acham intelectuais por apreciarem somente a alta literatura (e que raios seria essa alta literatura?) são os que mais tripudiam acerca do assunto. Para esses, a arte tinha que ser inacessível, incompreendida pelas massas. Independentemente do tipo de produção, eles acreditam que a arte deveria estar nas mãos de poucos. Tolos.
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